23 de set de 2011

Louise Brooks







Ela fez pouco mais de vinte filmes, alguns em pontas quase imperceptíveis, outros com cópias já perdidas ao longo dos anos. No entanto, bastou ter estrelado uma única produção, A Caixa de Pandora, dirigida por G.W. Pabst em 1929, para que fosse perenemente lembrada como uma das musas mais fascinantes de toda a história do cinema.
Mary Louise Brooks, nascida no empoeirado ano de 1906, foi uma mulher "liberal, libertária, libertina" 
avant la lettre. 
Trabalhou como modelo, dançarina e cortesã. Desistiu de estrelar Inimigo Público, filme protagonizado por James Cagney que poderia ter revitalizado sua carreira cinematográfica, porque preferiu ficar com o seu amante. Deixava seu superego de lado ao fazer declarações. Não tinha pudores em posar para fotos ousadas ou atuar em filmes controversos para a sua época, e pagou o preço por essas atitudes.
 Largou precocemente o cinema em 1938, aos 32 anos de idade. Chegou a escrever uma autobiografia, mas incinerou todos os manuscritos. Viu seus filmes com G. W. Pabst serem resgatados por críticos nos anos 50, quando já vivia reclusa em Nova Iorque, longe dos seus tempos de Hollywood. Morreu em 1985, aos 78 anos de idade.

 Deixou, porém, um legado inolvidável para os cinéfilos:

Sua atuação no papel da trágica e impulsiva Lulu em Pandora’s Box.


O longa-metragem causou controvérsia, em especial por causa das atitudes da personagem Lulu, uma mulher sexualmente livre (Pandora’s Box, diga-se de passagem, foi o primeiro filme a exibir uma cena de lesbianismo). Também marcou época o visual de Louise Brooks, e em especial o seu corte de cabelo, curto com franjas.
 O desenhista italiano Guido Crepax criou a personagem Valentina, uma fotógrafa sensual, baseado no visual de Lulu. Do mesmo modo, o escritor argentino Adolfo Bioy Casares admitiu que tinha a imagem de Louise Brooks em mente como inspiração para a sua personagem Faustine na obra-prima A Invenção de Morel, livro publicado em 1940.
No YouTube, uma dica imperdível é assistir ao documentário Lulu in Berlin, de Richard Leacock e Susan Steinberg Woll, que resgata a obra de Louise Brooks através de uma entrevista concedida pela atriz em 1974 . O documentário mostra uma mulher que, apesar da passagem do tempo, permaneceu bela, lúcida e articulada. É realmente triste saber que o talento e a personalidade de Louise Brooks não foram tão aproveitados pela sétima arte quanto poderiam ter sido.






















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