20 de out de 2011

Melhores filmes: Chinatown por Roman Polanski






Sempre ouvia meu pai dizer que meu avô dizia para ele que o film noir é o gênero mais bonito do cinema. Não fazia muito caso, até porque fui virar cinéfilo (e nerd) só depois dos 15 anos de vida. Nem sabia o que era noir. "Noir é aquele tipo de filme com caráter investigativo, geralmente protagonizado por algum detetive. Se você ver chapéus, cigarros e bebidas em um filme, então, meu filho, você está diante de um film noir", tentava me explicar. Ainda mais que minha primeira experiência com um film noir não havia sido nada empolgante. Odiei com todas as minhas forças "Relíquia Macabra", de John Huston (sem saber que John Huston era uma lenda). Por algum motivo, na segunda vez que assisti ao filme, adorei. A única explicação crível que tenho para isso é o fato de que, nesse meio tempo, eu vi "Chinatown", de Roman Polanski.

Seria impossível descrever em palavras o que Chinatown fez de bom para meu desenvolvimento como cinéfilo e, principalmente, para o cinema do gênero. Tudo bem, "Chinatown" funciona mais como um neo-noir em cores, mas, o que eu pude ver desde o começo do longa foi uma aula de como atualizar um gênero sem deixar escapar nenhum detalhe que pudesse prejudicar um ideal de cinema tão forte como o de Polanski. O que mais impressiona, no entanto, além da direção impecável do cineasta francês é atuação do elenco. Aliás, Polanski demostra que é um diretor de elenco. Com total domínio, o diretor arranca uma performance excelente de Jack Nicholson (indicado ao Oscar). Este, por sua vez, nunca é menos que genial, aqui. Outra grande sacada do diretor foi a escolha de Faye Dunaway (também indicada ao Oscar) para o papel da femme fatale (não pode faltar no bom noir). Faye entrega uma atuação brilhante, inserindo toda e qualquer vulnerabilidade que uma mulher na sua posição poderia ter.

Los Angeles, 1937. O detetive particular J.J. Gites (Jack Nicholson) recebe mais um caso de suspeita de adultério, desta vez envolvendo o engenheiro-chefe de águas da cidade, Hollis Mulwray. Porém, em pouco tempo, o pacato engenheiro é encontrado morto, por afogamento. O curso das investigações se desvia, desembocando nas irregularidades da construção de represas e na distribuição de água, que favoreciam terras de proprietários fantasmas. Paralelamente, a enigmática Evelyn Mulwray (Faye Dunaway), viúva do assassinado, esconde um mistério familiar que pode ter ligações com o crime, em que está implicado Noah Cross (John Huston), seu pai, o todo-poderoso local.

Como já dito anteriormente, Polanski se mostra um diretor de atores, e nem John Huston escapa do tratamento especial do diretor. Apesar de dispensar comentários como diretor, Huston, naquela época, ainda tinha muito o que aprender como ator. Nas mãos de Polanski, John Huston pincela um personagem que aparece em cenas curtas mas de grande importância para a trama. Por falar em trama, "Chinatown" é dono de um dos melhores roteiros originais da década de 70. Os rabiscos de Robert Towne são fantásticos. O roteiro faz uma mesclagem perfeita de suspense e drama sempre usando a fotografia para dar a dica sobre como a cena vai se comportar. Fotografia escura indicava o suspense engatinhando, fotografia clara dava sinal de explicações dos mistérios. Ficou perfeito, Towne mereceu o Oscar de roteiro original que ganhou (o único dentre as 10 categorias em que fora nomeado, incluindo filme, diretor, ator e atriz).

Polanski confessou, certa fez, que o título do filme é uma homenagem ao cinema noir. Se Roman Polanski tentou simplesmente homenagear o gênero, pode-se dizer que ele fui muito além. "Chinatown" transcende aquilo que é considerado cinema b e entrega uma obra que ascende sua veia autoral. Além de ser suspense de qualidade e alto nível, o longa é dono de originalidade única. Polanski já merecia ser melhor diretor nas principais premiações desde "Chinatown". 


* Crítica por Henrique Gomes do Blog "Tudo é Crítica"






Para complementar o clima noir do filme a femme fatale interpretada elegantemente por Faye Dunaway



Roman Polanski disse que se inspirou nas lembranças que tinha da figura da mãe para compor o personagem de Faye. No lembrança de menino de Polanski, os anos 40 tanto sua mãe como todas as mulheres mantinham uma sobrancelha fina e desenhada, assim como os lábios vermelhos muito bem pintados, e ele diz que achava a figura dessa mulher muito elegante e intrigante, elemento primordial para o clima do filme Chinatown.


















Polanski sempre foi um diretor que trabalha em cima dos pequenos detalhes, não importando se eles são percebidos ou não, com tanto que pequenos erros não prejudiquem a cena.





... quando Polanski rasgou o nariz de Jack Nicholson





Jack e Roman com opiniões muito fortes se enfrentaram com seus argumentos divergentes durante a filmagem do filme. Mas toda essa discussão e pequenos desentendimentos casuais nos proporcionou um belíssimo filme que é Chinatown, clássico atemporal e muito bem executado, do roteiro, á direção até a fotografia, e o que falar do figurino e da trilha sonora então........





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