17 de out de 2011

Melhores Filmes: Milk


Não é só um filme que evidencia a Luta pelos direitos Gays, também mostra a força  de Harvey Milk diante da máquina política estadunidense. 


Sean Penn é Harvey Milk, a semelhança é espantosa.









Harvey Milk, o primeiro gay assumido a ser eleito para um cargo público nos Estados Unidos, foi assassinado em 1978. Se você não sabia disso antes de entrar na sessão, o próprio  Gus Van Sant dá a notícia no começo do filme. Milk (Sean Penn) está diante de um gravador, com microfone em punho, sentado na cozinha de sua casa, verbalizando seu testamento. Caso seja morto, diz ele, as fitas virão a público. A essa altura Harvey Milk tem consciência da importância de sua luta e de sua imagem. O longo flashback que vem a seguir nos dá o contexto.


Como já adianta o título do livro sobre Milk, The Mayor of Castro Street, de autoria de Randy Shilts (no qual o filme não se baseia), o político ficou famoso como o "prefeito da rua Castro". San Francisco é hoje a meca dos gays nos EUA, em boa medida, pela forma aberta e engajada com que Milk administrava sua lojinha de material fotográfico na rua Castro ao lado do namorado, Scott (James Franco no filme). Se os outros comerciários da rua vinham ameaçá-lo, Milk retrucava com beijo na boca em plena calçada. Rapidamente a região se tornou seu nicho eleitoral.
Milk entrou na política para impedir que a polícia da cidade caçasse e matasse homossexuais impunemente. Como supervisor distrital (semelhante, a grosso modo, com nossos vereadores), poderia dar aos gays uma voz ativa, uma voz que os unisse. O ponto nevrálgico de sua luta - e que ecoa fortemente na situação vivida hoje na Califórnia - era a oposição à Proposição 6, que em forma plebicitária sugeria em 1978 uma lei em que professores de escola homossexuais poderiam ser demitidos por justa causa.
Gus Van Sant, homossexual assumido, faz de Milk menos uma ode ao movimento do que ao homem. Não se trata, em outras palavras, apenas de uma radiografia militante de um momento histórico, mas de um filme dedicado a capturar a alma de seu protagonista. Sean Penn desaparece sob Milk, mas sua entrega física e emocional ao papel não seria a mesma sem a câmera do diretor de fotografia Harris Savides (ZodíacoO Gângster) a registrá-la.
Savides já trabalhou com Van Sant quatro outras vezes, e seu talento para enquadrar semblantes em planos movimentados (como em Elefante) nunca ficou tão evidente como aqui. Ainda que seja no protesto público mais confuso, mais lotado, a câmera sempre dá um jeito que achar o rosto de Milk. O filme cresce com esse misto de documental urgente e drama íntimo.
É importante não perder Harvey Milk de vista, não desperdiçar suas falas, porque afinal é um filme de luto. Se pensarmos os trabalhos recentes de Van Sant como uma obsessão pelo efêmero da vida - GerryElefanteÚltimos DiasParanoid Park - então mais do que nunca Milk é uma cerimônia de respeito à morte. E o filme pode passar pelos olhos do público como uma mera historiografia panfletária, mas no fundo está mais para uma homenagem operística ao prazer de existir - e aproveitar.
* Omelete -  Marcelo Hessel

( A loja de Câmeras na Rua Castro, onde tudo começou)

O Harvey Milk da vida real em frente ao seu primeiro empreendimento




 ( Sean Penn e o seu mais importante companheiro na vida e na política Scott, interpretado brilhantemente por James Franco )









O nosso Harvey Milk brasileiro, Jean Wyllys. Assim como Milk lutando dentro do Congresso para  a aprovação de leis que protejam o homossexual e seus direitos civis enquanto cidadão independente de sua vida ou opção sexual.






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