28 de out de 2011

Melhores filmes: Ligações Perigosas


Dangerous Liaisons; dirigido por Sthephen Frears, produzino nos EUA, no ano de 1998, com atuação de Glenn Close, John Malkovich, Michelle Pfeiffer, Keanu Reeves e Uma Thurman.



John Malkovich iniciando a educação sexual da inocente Uma Thurman



Sobre o filme baseado na obra "Les Liaisons Dangereuses", do francês Choderlos de Laclos

“Ligações Perigosas” apresenta um jogo perverso: o da sedução. São raras as vezes que tramas que colocam o cinismo de seus personagens em primeiro lugar não caiam num bizarro jogo de situações forçadas. Mas nesse filme de 1988, o primeiro do inglês Stephen Frears em uma produção americana, serve como exemplo para mostrar como o cinismo pode servir como componente para rasgar elogios a uma obra que apresenta uma boa trama e um elenco formidável. Em especial John Malkovich e Glenn Close, que apresenta um dos seus maiores trabalhos no cinema, encarnando uma personagem única, capaz de vociferar uma única palavra - “war” - e torná-la uma das melhores coisas do filme.

O roteiro de Christopher Hampton, baseado na magnífica obra “Les Liaisons Dangereuses”, do francês Choderlos de Laclos (1741-1803) é sem dúvida o principal responsável pelo charme do filme, que é capaz de despertar cada vez mais a atração dos que presenciam as ardilosidades da dupla Marquesa de Merteuil – Visconde de Valmont. O livro causou escândalo quando foi lançado em 1782. Dizem que era o livro de cabeceira de Maria Antonieta. No cinema, foi exaustivamente usado como obra fundamentada, tendo além de “Ligações Perigosas”, o teen movie “Segundas Intenções” (1999) com Sarah Michelle Gellar e Reese Witherspoon, como filme mais conhecido do grande público, mas com uma linguagem incomparavelmente mais atual e livre.

  Close, mais bonita que o convencional, embora com o mesmo rosto capaz de seduzir e assustar ao mesmo tempo, nos traz cenas ótimas, algumas até cômicas, com suas caras e bocas, e falas completamente espirituosas e irônicas (“A vergonha é como a dor. Só se sente uma vez”). Uma personagem que representa como ninguém a ociosidade dos abastados da França do séc. XVIII. Afinal, se havia uma coisa que fez Laclos chocar um país inteiro, certamente não foi por conta de seu teor sexual, mas como ele mostrou um lado calculista de uma integrante da classe burguesa. Close, como se não bastasse, apresenta um final único, num desfecho que não tem outro, SÓ DÁ ela.

“Ligações Perigosas” , seria hoje, possivelmente, um candidato à altura para "O Discurso do Rei", tendo em mente que “Ligações Perigosas” foi lançado há pouco mais de vinte anos. Logo, é o filme excelente para o seu tempo.






 A Marquesa interpretada pela Glenn Close na primeira cena do filme, adimirando sua beleza e culticando sua vaidade.


Já essa é a última cena do filme, onde o mundo da Marquesa desaba e não sobra nada que lhe era caro antes, como a beleza.





A SOCIEDADE COMO UM TEATRO: RELAÇÕES PERIGOSAS, DE CHODERLOS LACLOS


Um romance, uma sociedade, um teatro, uma personagem... O romance é Relações perigosas, de Pierre Ambroise François Choderlos de Laclos , publicado em 1782, proibido pela censura portuguesa, obra que se constitui por um conjunto de cartas trocadas entre suas personagens. “Romance epistolar” é, segundo Roger Vaillant, revolucionário, trazendo “uma descrição realista e crítica de uma aristocracia parisiense corrompida” ; é uma obra que pode ser lida de diferentes maneiras: como um romance erótico, como um quadro dos costumes da nobreza da capital francesa, ou ainda como um romance do mal, de um mal que corrompe o coração dos inocentes. A sociedade nada mais é do que a do Antigo Regime, mais especificamente dos nobres de Paris, em fins do século XVIII

Todos esses acontecimentos expressam a essência de Relações perigosas: a sociedade francesa, essa que depois da Revolução francesa veio a ser classificada como sociedade do Antigo Regime, sobretudo o mundo da aristocracia, era um grande teatro em que os sujeitos históricos viviam a representar, simulando e dissimulando, ocultando de fato o que eram; nos círculos aristocráticos,



Este trabalho é parte do Projeto Temático Caminhos do Romance no Brasil – séculos XVIII e XIX, coordenado pela Profa. Márcia Abreu, financiado pela FAPESP e pelo CNPq e apoiado pela CAPES (estágio pós-doutoral). Resultados do projeto encontram-se disponíveis no site: www.caminhosdoromance.iel.unicamp.br








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